No início de 2025, enfrentando um bloqueio criativo, Nicholas Mastoras precisou de algo que lhe despertasse a imaginação, por isso definiu um projeto e o objetivo de trabalhar no mesmo, pelo menos, uma vez por mês. “Foi um compromisso”, recorda, “uma forma de canalizar a minha energia para algo que eu podia controlar totalmente e que me ajudava a manter o equilíbrio com o meu trabalho comercial.” O objeto que desbloqueou a sua criatividade foi, ironicamente, cabelo. “O cabelo é algo tão importante na cultura humana, mas raramente é o verdadeiro foco da fotografia”, explica, “e, embora muitas vezes seja uma parte relativamente pequena de um retrato, as suas conotações são imensas. Só na cultura grega, o cabelo teve inúmeros significados: revela riqueza e estatuto social, expressa sexualidade, força, ou representa sacrifício e proteção. Está ligado a rituais e ritos de passagem, e está sempre presente na alegoria e no mito.” Agora a trabalhar a todo o gás, uma das imagens favoritas de Nicholas deste projeto “lembra mesmo a Medusa”, refere. A fotografia faz parte de uma série realizada com a atriz Tonia Sotiropoulou, a cabeleireira Stella Soulele e o maquilhador Panagiotis Karakasis. “É uma imagem onde ela aparece deslumbrante, mas também há um certo caos”, continua. “Não se trata de um retrato comum, onde o cabelo é frequentemente controlado com precisão; aqui, surge livre e enérgico, até caótico, com os fios a rodopiar e a serpentear à volta do seu rosto.”
Nicholas criou a imagem no seu estúdio, com o cabelo empilhado na cabeça da Tonia e fios extra adicionados para preencher as margens do enquadramento, rodeando o seu rosto. “De seguida”, explica, “usámos ventoinhas para o fazer esvoaçar, com Tonia a mover-se para que o cabelo levantasse e rodopiasse à volta das suas feições.” Para iluminar a imagem, Nicholas usou um único flash numa softbox grande, colocou a luz mesmo à frente do rosto da Tonia, onde produzisse a luz mais suave possível, e utilizou a sua Sony Alpha 7R V no modo burst de 5 fps para assegurar que teria muitas fotografias à escolha. “Não queria captar demasiado rápido”, declara, “mas estava certamente à espera daquela imagem única em que o cabelo estivesse na posição perfeita.” Usando uma FE 24-70mm f/2.8 GM II, enquadrou em grande plano, centrando a composição nos olhos, com a focagem automática de seguimento do objeto ultrafiável da câmara a garantir que as pestanas se mantinham nítidas, apesar de o cabelo estar a esvoaçar à volta. “Definir a lente para uma abertura de f/8 produziu a máxima nitidez”, continua, “e, juntamente com a velocidade do flash, realça toda a textura do cabelo e os finos detalhes da pele. Tudo isto é otimizado pela incrível resolução da Alpha 7R V, por isso, quando faço uma impressão e exponho a imagem juntamente com outras da série, sei que vai ficar fantástica.” Com o seu projeto a continuar a dar frutos criativos, Nicholas vê claramente o benefício. “Os fotógrafos precisam deste tipo de libertação”, afirma. “Adoro os meus trabalhos comerciais, mas não há nada como a criatividade livre de um projeto assim. É literalmente como deixar o cabelo solto.”
"No fim de contas, não é a forma como vemos as coisas, mas sim onde estas nos conduzem."