Quando a Sony me entregou a nova α7 V e me pediu para a testar em condições reais de vida selvagem, soube exatamente como queria fazê-lo: pequenas aves da floresta, aves de rapina velozes, clima imprevisível e comportamentos fugazes na paisagem rural inglesa no outono.
Enquanto fotógrafo de vida selvagem, dependo de velocidade e precisão mais do que qualquer outra coisa. Se o autofocus falhar, se o obturador se atrasar ou se a gama dinâmica for incapaz de lidar com um céu brilhante e a floresta escura no mesmo enquadramento, esses momentos únicos perdem-se. Ao longo deste projeto, a α7 V acompanhou-me pelo Windsor Great Park, ao longo das margens dos rios de Hampshire e na Costa Sul. Trabalhei na hora dourada, em sombras profundas, sob chuva intensa e vento, com espécies que raramente permanecem quietas por mais de um segundo. A câmara não só esteve à altura, como mudou a forma como abordo esses momentos.
Aves de floresta no Windsor Great ParkComecei nas profundezas das florestas do Windsor Great Park. As cores de outono começavam a despontar na copa das árvores, com verdilhões, pintassilgos, pica-paus, chapins-azuis e chapins-reais a esvoaçar entre os ramos. O tempo não se decidia: num momento, suaves raios de sol, no seguinte, nuvens escuras e chuviscos.
Era o local perfeito para testar o autofocus controlado por IA. A α7 V reconheceu e seguiu as pequenas aves mesmo quando atravessavam ramos densos ou zonas de luz e sombra contrastantes. O que mais me impressionou foi a fiabilidade com que continuava a seguir uma ave quando esta se escondia atrás de uma árvore ou desaparecia por instantes na folhagem, para depois reaparecer do outro lado. A moldura de seguimento manteve-se fixa e parecia que a câmara sabia sempre onde estava o meu objeto.
Ao aliar essa inteligência a sequências a 30 fps, sem blackouts, de repente as cenas caóticas da floresta tornaram-se controláveis. Seguir uma ave veloz a ziguezaguear por entre as árvores parecia fluido e ininterrupto, sem blackouts do visor eletrónico a quebrarem a minha concentração. O sensor parcialmente empilhado de 33 MP oferecia uma leitura rápida e ficheiros limpos e detalhados, capazes de lidar lindamente tanto com o movimento como com a textura delicada das penas.
Chuva, veados e um teste de resistência no mundo realO meu segundo dia em Windsor foi um contraste absoluto: chuva torrencial de manhã até ao final da tarde. Aquela chuva de outono que cai de lado, encharcando todas as camadas e que torna cada folha numa superfície refletora.
Entre as gravações dos segmentos da entrevista, concentrei-me no veado-vermelho que se deslocava através da neblina e da vegetação encharcada pela chuva. Este foi um excelente teste à gama dinâmica e à fiabilidade. A gama dinâmica de 16 pontos da α7 V preservou os detalhes na pelagem escura e molhada, nas aberturas luminosas do céu e nas sombras profundas sob as árvores. Mesmo em ISOs mais elevados, nos momentos mais sombrios, os ficheiros mantiveram-se limpos e naturais. Este dia serviu também para destacar a importância do novo ecrã multiangulo de 4 eixos para a fotografia de vida selvagem. Captar a partir de um ângulo inferior é uma parte fundamental do meu trabalho, quer esteja a fotografar um veado à chuva ou pequenas aves a saltitar pelo chão da floresta. Poder abrir, inclinar e rodar o ecrã em praticamente qualquer direção significava que podia manter a câmara baixa, permanecendo escondido atrás dela, e ajustar o ângulo sem atrair a atenção para mim. Pode parecer insignificante, mas no terreno representa um grande upgrade na qualidade de vida.
Guarda-rios nas margens dos rios de HampshireDepois de Windsor, fui para as margens dos rios de Hampshire, onde passei três dias atento aos guarda-rios – uma espécie que desafia continuamente o autofocus, a gestão de cores e o timing.
Os rios estavam ladeados por bagas vermelhas e folhas outonais, criando um belo contraste com os tons de azul e verde das aves. Ao amanhecer havia uma luz baixa e suave, e à medida que o dia avançava, os reflexos na água tornavam-se mais desafiantes, mas a α7 V lidava com tudo de forma confortável. O autofocus por IA fixou-se nos guarda-rios empoleirados no emaranhado de ramos e seguiu-os quando levantaram voo, enquanto o processamento em Extended RAW e a gama dinâmica do sensor me permitiram recuperar as altas luzes na água iluminada pelo sol e realçar detalhes nas margens sombreadas sem que a imagem se deteriorasse. Foi aqui que o obturador rápido se destacou. Poder aumentar a velocidade até cerca de 1/16000 s permitiu-me congelar mergulhos em pleno ar e batimentos de asas com nitidez, mesmo quando a luz refletia intensamente na superfície da água.
Costa Sul: peneireiros, vento e um pica-pau-verdeTerminei primeiro as minhas aventuras na Costa Sul, onde os ventos fortes e as paisagens abertas apresentavam um desafio bem diferente. Os peneireiros pairavam e caçavam, ajustando-se às rajadas de vento, e isto constituiu um excelente teste à capacidade da câmara em seguir um objeto contra fundos agitados e em constante movimento. A α7 V manteve a focagem enquanto os peneireiros pairavam, mudavam de posição e, depois, mergulhavam subitamente – e as sequências a 30 fps permitiram-me escolher o fotograma exato em que a postura ou a posição das asas parecia perfeita.
O momento que mais me marcou foi finalmente conseguir captar um verdadeiro conjunto de imagens do pica-pau-verde. É uma espécie que me tem escapado durante anos e vê-la surgir com boa luz, a mover-se entre as ervas e os poleiros baixos, foi realmente especial. A câmara acompanhou-a com confiança enquanto se deslocava pela vegetação, e saí de lá com as melhores imagens que alguma vez consegui desta ave. Essa combinação de técnica de campo, paciência e uma câmara em que podia confiar foi exatamente o que definiu este projeto.
Por florestas, rios e linhas costeiras, uma coisa tornou-se evidente: a α7 V destina-se a fotógrafos que não têm uma segunda oportunidade. Para mim, significou:
Mais importante ainda, permitiu-me concentrar-me no que realmente importa: interpretar comportamentos, ser paciente e deixar que a natureza me surpreenda. Num outono repleto de movimento pela paisagem rural inglesa, a α7 V não falhou uma única vez e foi um prazer utilizá-la!
"A fotografia é mais do que um simples trabalho para mim, é a forma como dou sentido ao mundo. Nunca sou tão feliz como quando me deito na terra, completamente imóvel, à espera daquele momento perfeito de ligação entre o animal e a objetiva."