Localizada na margem do rio Amazonas e rodeada por densas florestas tropicais, Iquitos, no norte do Peru, destaca-se por uma singularidade rara. É a maior cidade no mundo sem acesso por estrada. E, tirando algumas estradas secundárias que conduzem a aldeias ou se perdem na selva, a única forma de lá chegar é de avião ou de barco. “É um local magnífico,” refere Natan Dvir, “e tão remoto quanto se pode imaginar.” Na fotografia documental, a excentricidade é, muitas vezes, sinónimo de oportunidade e, segundo Natan, Iquitos oferece isso em abundância. “Entre as casas construídas sobre estacas altas para enfrentar as cheias, o mercado flutuante de Belén e o mar de mototáxis coloridos, a vida ali revela uma variedade e uma profundidade extraordinárias”, afirma. “As pessoas são notáveis e a experiência de as conhecer pode ser verdadeiramente tocante, por isso é um prazer documentar tudo isso.”
“Para mim,” continua, “a fotografia de rua é uma celebração da vida e resulta do meu fascínio pelas pessoas. O Peru é mais descontraído do que muitos outros lugares e, muitas vezes, as pessoas sentem-se lisonjeadas ao perceberem que despertaram o nosso interesse. Ainda assim, o respeito e a integridade são essenciais e definem a minha abordagem.” “Em vez de objetificar as pessoas, algo que pode acontecer quando se fotografa à distância ou de forma demasiado furtiva, prefiro interagir”, explica Natan. “Normalmente, não fotografo de imediato, percorro o espaço e procuro sentir o ambiente. Isso torna-me mais intencional, porque não me deixo influenciar pela estética imediata de uma situação. Isso implica riscos, na medida em que pode alterar o comportamento das pessoas ou levá-las a indicar que não querem ser fotografadas. Mas, no geral, é uma abordagem muito mais eficaz e, acima de tudo, evita objetificar as pessoas.”
“Tenho 1,96 m, por isso, também não me consigo esconder”, ri-se. “Mas, no geral, faço questão de me manter visível e, assim, as pessoas não se surpreendem. Se há algo que me interessa, aproximo-me e talvez mude de objetiva, o que me permite ver como reagem. Em quase todas as fotografias que tirei aqui, era óbvio o que eu estava a fazer. Algumas pessoas até me ofereceram bebidas ou convidaram-me a entrar nas suas casas. E, quanto mais tempo fico num lugar, mais depressa as pessoas se esquecem que estou ali e se comportam naturalmente.” “Outra forma de fotografar com respeito,” refere, “é encontrar uma cena de que goste, enquadrá-la e esperar que ganhe vida. E, novamente, deixo claro o que estou a fazer, para que quem não quiser ser fotografado possa simplesmente afastar-se.”
Natan tende a privilegiar distâncias focais mais curtas para este tipo de situações, o que lhe traz várias vantagens. “Retratos que isolem o objeto podem ser fascinantes, mas prefiro contexto”, explica. “Incluir o ambiente torna a fotografia muito mais interessante e adoro criar imagens ricas em textura, com múltiplos protagonistas. Procuro frequentemente equilibrar um objeto principal dinâmico com outros complementares, como na imagem da mulher a lavar roupa ou na das pessoas no mercado. Existem vários retratos em cada uma delas e, quanto mais se explora a imagem, mais é possível ver. O objetivo é combinar a estética e o valor narrativo no momento.”
“Sou muito seletivo na forma como fotografo,” continua, “e raramente trabalho acima de 3 fps, apesar de as minhas câmaras Sony permitirem muito mais. O meu método consiste em permanecer presente e identificar o momento, em vez de esperar que a câmara o faça por mim. As minhas câmaras, a Alpha 7R V e a Alpha 1, têm sido fundamentais em condições de pouca luz. Ambas oferecem um desempenho de ruído impressionante, pelo que posso trabalhar regularmente a ISOs como 6400. O efeito de aumentar a velocidade do obturador num ambiente escuro pode significar a diferença entre guardar uma fotografia e apagá-la.” Segundo Natan, o desempenho do AF das suas câmaras em pouca luz também é excecional. “O AF da Sony é espantoso a identificar automaticamente os objetos, mas, na minha fotografia de rua, prefiro utilizá-lo de forma mais tradicional. Fotografo no modo de disparo único e com uma área de AF mínima para obter a máxima precisão. Funciona incrivelmente bem, fixando os objetos mesmo em locais com muito pouca luz, ao contrário das minhas câmaras anteriores, que precisavam sempre de ajuda.”
“Utilizo sempre o visor eletrónico para enquadrar, não o ecrã traseiro,” afirma, “porque me ajuda a manter a atenção totalmente no que está à minha frente e ao meu redor. Também sou um grande apreciador do histograma ao vivo no visor eletrónico. É o que me garante exposições sempre precisas.”
Segundo Natan, todas as vantagens técnicas das suas câmaras resultam numa melhor ligação com as pessoas que encontra, o que se traduz em imagens mais autênticas. “Se a minha abordagem à fotografia de rua consiste na celebração da vida,” conclui, “não o consigo fazer com uma câmara que me dificulte o trabalho.”
"Ser fotógrafo não é a minha profissão, é a minha essência"