Sempre que Albert Dros partilha uma das suas fotografias de paisagem com a Lua, começam logo a chover comentários a dizer “É falso”. “A Lua não é assim tão grande!” é a crítica mais frequente, mas Albert tem os ficheiros RAW da Sony Alpha 7R V para o comprovar. “Todas as fotografias são de exposição única, sem empilhamento de focagem, sem bracketing, sem artifícios. As pessoas acham sempre que são falsas e que a Lua não é assim tão grande, mas isso acontece porque a maioria nunca olhou através de uma lente de 600 mm ou 800 mm”, afirma Albert.
É um exemplo clássico de como uma lente teleobjetiva pode produzir o chamado efeito de “compressão”, em que objetos distantes podem parecer muito mais próximos entre si. É por isso que a Lua parece tão grande na imagem quando surge ao lado de um objeto, como um edifício que estamos habituados a ver muito mais de perto, e esse contraste é o que dá força a estas imagens. “Em algumas destas imagens, eu estava a cerca de 3 km do edifício”, revela Albert. “A mais de três quilómetros, começam a surgir distorções atmosféricas devido à humidade. Se eu fotografar a cerca de dois quilómetros, tudo permanece nítido.”
Para criar estas fotografias extraordinárias, Albert começou por usar a lente FE 100‑400mm f/4.5‑5.6 GM OSS, muitas vezes com o teleconversor 2x da Sony, mas mais recentemente passou a utilizar a Sony FE 400‑800mm f/6.3‑8 G OSS. “Esta lente é excelente para fotografias da Lua. Muitas pessoas assumem que, por ser de noite, é preciso uma lente rápida. Mas acontece exatamente o contrário: a Lua é tão brilhante que não precisamos de uma lente rápida. De facto, fotografo muitas vezes a f/11 ou f/14. A 800 mm, quero que tanto o edifício como a Lua fiquem nítidos, por isso uma abertura mais pequena funciona melhor.”
Albert monta a lente 400‑800 mm na sua Sony Alpha 7R V ou Sony Alpha 1 II e, depois, instala o conjunto num tripé, usando o obturador silencioso e um comando para manter tudo perfeitamente estável, algo essencial com distâncias focais tão longas. “Normalmente prefiro a Alpha 7R V porque tem uma resolução mais elevada. Isso permite-me fotografar a grande distância, a 800 mm, e ainda recortar um pouco mais, se for necessário. Muitas pessoas não pensariam em usar esta lente para fotografar a Lua, talvez por acharem que é apenas para fotografia de vida selvagem. No entanto, uma lente como a FE 600mm f/4 GM OSS, mesmo com um teleconversor, é mais pesada, muito mais cara e, tendo em conta os efeitos da atmosfera, não vai propriamente oferecer uma imagem melhor.” Embora a oportunidade de fotografar a Lua cheia surja apenas uma vez por mês, não há qualquer espontaneidade. Cada fotografia é meticulosamente planeada, muitas delas com até um ano de antecedência. “Diria que, para cada uma destas imagens, há muitas tentativas falhadas. Nuvens, nevoeiro à altura errada, alinhamentos que não estavam 100% corretos, edifícios a bloquear a vista. Cada tentativa exige muito trabalho e, por vezes, corre bem, outras vezes, não”, explica Albert.
“Tenho muitas fotografias em mente e até as marco no calendário, por vezes com um ano de antecedência. Passo horas a pesquisar na Internet: quais são os melhores moinhos, as melhores torres de igreja, onde ficam? Depois, têm de ser objetos visíveis à distância, de preferência em campo aberto. Utilizo frequentemente o Google Street View para confirmar o que existe nas imediações. Depois, utilizo uma app para verificar o ângulo exato e ver exatamente onde o Sol e a Lua se vão pôr num determinado dia de Lua cheia. Tinha planeado fotografar uma torre específica, mas não resultou e a oportunidade seguinte só surgiu um ano depois. Às vezes, é preciso esperar muito tempo.”
Para que o edifício fique bem iluminado na fotografia, Albert fotografa perto do nascer ou do pôr do sol, quando a Lua está baixa no céu. “Tens de ter alguma luz ambiente para conseguires tirar a fotografia numa única exposição. As pessoas muitas vezes fotografam a Lua, que é muito brilhante, enquanto a paisagem fica escura. Isso acontece porque está demasiado alta no céu e é de noite. Tens de a captar quando está baixa no horizonte, quando está cheia, e tem de estar alinhada com o nascer ou o pôr do sol.”
Com os sensores da Sony na Alpha 7R V e na Alpha 1 II, Albert consegue tirar o máximo partido da gama dinâmica das câmaras. “Fotografo frequentemente com uma ligeira subexposição, ajustando a exposição ao brilho da Lua e, depois, na edição, aumento a luminosidade das sombras. As câmaras Sony são conhecidas pela sua elevada gama dinâmica, o que torna possível este tipo de fotografia. Algumas das imagens foram captadas em ISO 2000 ou ISO 3200, situações em que a gama dinâmica já não é tão elevada, por isso este tipo de fotografia tira o máximo partido do sensor”, explica. “Há algo na combinação entre a magnífica natureza e os elementos criados pelo homem que resulta sempre muito bem. Dá‑me algo especial, como se fosse uma pintura da própria natureza e nós limitamo‑nos a captá‑la.”
"Sou obcecado pela fotografia perfeita"