grupo de pessoas no metro de nova iorque

Trilogia do metro

Natan Dvir

O sistema de metropolitano da cidade de Nova Iorque é composto por 472 estações e quase 700 milhas de caminhos de ferro que criam uma narrativa em constante crescimento, que se desenrola em tempo real. O metro funciona 24 horas por dia, resultando num caos de oportunidades. Então, como é que um fotógrafo espera encontrar o momento decisivo no meio de fluxo e movimento constantes? A resposta, de acordo com Natan Dvir, é a dedicação.

homem com uma t-shirt azul no meio da multidão à espera de um comboio © Natan Dvir | Sony α1 + FE 16-35mm f/2.8 GM | 1/125s @ f/4.5, ISO 3200

"Nessas plataformas," explica Natan, "a partida e a chegada de comboios é como uma cortina a mover-se no palco de um teatro. Cada vez que passa um comboio, marca o início de um novo ato. Novas pessoas, novos gestos. O que significa que há sempre muito para ver."

"Pretendo sempre o melhor," continua, "e para este projeto, que foi fotografado para a New York Magazine, ajudou o facto de os meus instintos terem sido desenvolvidos numa série semelhante que fiz há alguns anos. A revista estava a examinar o facto de as pessoas já não se sentirem seguras no metro. Pessoalmente, também queria ver ideias de solidão, isolamento e a forma como os viajantes se comportam nestes «não lugares», que são, relativamente, anónimos e genéricos."

Bastante semelhante ao seu projeto original, fotografado de 2014 a 2017, Natan utilizou um tema recorrente no seu trabalho, fotografando a partir da plataforma oposta e utilizando as colunas da arquitetura do metro para dividir as cenas em trípticos. "Tenho interesse neste estilo há muito tempo pois quando recortado em panorama, consegue replicar o estilo de uma tira de filme antigo e também relembra os trípticos religiosos da Idade Média."

homem a empurrar uma bicicleta numa plataforma do metro de nova iorque © Natan Dvir | Sony α1 + FE 16-35mm f/2.8 GM | 1/100s @ f/4.5, ISO 4000

Através de uma pesquisa cuidadosa de locais e de uma repetição fortuita da arquitetura, Natan conseguiu manter o seu estilo de forma consistente, mas mesmo assim, foi um processo que envolveu algum trabalho pesado a nível fotográfico. "As composições são multidimensionais nesse estilo, cada vez que tirava uma fotografia tinha de pensar em três formatos. É o formato full-frame da minha Sony Alpha 1 recortado em vista panorâmica, que inclui três quadrados. E em cada um deles, deve-se ter atenção ao que está a acontecer em paralelo."

O projeto, que Natan fotografou em 30 estações de metro, incluindo locais em Manhattan, Queens, no Bronx e em Brooklyn, demorou uma semana a completar e viu-o certificar-se de que fotografava numa variedade de condições, como deslocações de manhã cedo ou a meio da noite, criando milhares de imagens.

pessoa numa cadeira de rodas espera pelo comboio no metro de nova iorque © Natan Dvir | Sony α1 + FE 16-35mm f/2.8 GM | 1/125s @ f/6.3, ISO 4000

Ao trabalhar pelas plataformas, "não me mantive no mesmo local," explica Natan, "porque a cada passo as colunas formam um novo conjunto de imagens e disposições diferentes das pessoas, e, portanto, uma relação diferente no tríptico. É necessário ser-se ativo e observador a fotografar, mas, por vezes, acontecem certas coisas na imagem que passam despercebidas, gestos humanos fantásticos nos quais se repara apenas quando se está a editar."

Apesar de mais observante, formal e distante do que muitos tipos de fotografia de rua, Natan teve de trabalhar rápido e garantir que estava a captar imagens nítidas e detalhadas que pudessem ser utilizadas para impressões grandes. Portanto, naturalmente, voltou-se para a Sony Alpha 1. "Tendo fotografado praticamente o mesmo projeto com uma DSLR, posso confirmar a superioridade das minhas câmaras sem espelho Sony" afirma Natan. "Fotografar manualmente em estações com pouca luz, e querer evitar a desfocagem, significa que me concentrei em fotografar pessoas que não estavam em movimento, ainda assim, precisei de utilizar velocidades do obturador à volta de 1/80 segundos e 1/125 segundos, o que significou trabalhar com um ISO mais elevado."

"A Alpha 1 é fantástica com ISOs elevados, e também descobri que era possível obter detalhe de sombras posteriormente sem sofrer de ruído de cores ou qualquer outro ruído. Habitualmente, fotograva com ISO 2500, mas quando tive de utilizar ISO 4000, não senti qualquer dificuldade. Na minha DSLR antiga não estaria confiante, especialmente se tivesse de imprimir em medidas como 150 x 50 cm, em que qualquer perda de detalhe ou ruído aumentado pode custar bastante."
plataforma do metro de nova iorque quase deserta © Natan Dvir | Sony α1 + FE 16-35mm f/2.8 GM | 1/80s @ f/5.0, ISO 3200

A Alpha 1 é leve e pequena, pelo que é adequada para a mobilidade do trabalho de rua, mas Natan também utilizou os guias no visor eletrónico da câmara para manter as colunas que formam o tríptico perfeitamente verticais. "Nenhuma destas imagens é endireitada posteriormente, é assim que são fotografadas, o que é um aspeto crítico para mim, a um nível ético. O visor eletrónico também é uma representação bastante precisa da imagem final. Por isso, até em iluminação fraca e artificial como a do metro, consegue-se perceber de imediato o que está na exposição."

Por fim, com um número significativo de imagens captadas, como é que o Natan escolheu quais utilizar na revista e no website? "O princípio fundamental para a escolha das melhores imagens é que elas façam sentir alguma coisa. São essas as imagens com que nos envolvemos. Elas cativam-nos e trazem à tona as conversas que queremos ter."

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