O destino parecia moldar a carreira do fotógrafo português, Gonçalo Delgado, antes mesmo de ele se conhecer. “Cresci numa família de fotojornalistas”, recorda Gonçalo, “e o meu irmão também era músico. Vivi rodeado de boa música e fotografia desde muito jovem. Ainda me lembro de escolher o álbum que queria ouvir no meu Sony Discman.”
Com a influência da sua família, o próximo passo natural para Gonçalo foi sair com a sua câmara e fotografar bandas locais. “Liguei-me ao mundo “underground” do rock e do metal, concentrando-me em fotografar concertos “underground” com palcos cheios em locais pequenos. Não havia zonas de fotografia, pelo que ficava no meio dos mosh pits!”
Desde 2004, a fotografia de música de Gonçalo tem evoluído juntamente com a tecnologia das câmaras. A sua primeira câmara Sony foi a Alpha 7 original, que adorava utilizar com lentes vintage de focagem manual. “Ao longo dos anos, utilizei praticamente todas as câmaras da Sony para as minhas captações e, atualmente, utilizo a Sony Alpha 1, a Alpha 7C II e a Alpha 9 II.”
O obturador global da Alpha 9 III foi particularmente importante para o trabalho de Gonçalo. “Antigamente, tínhamos sempre problemas com o tremeluzir da frequência das luzes nas câmaras mirrorless e até DSLR. Atualmente, todas as luzes são LED e é complicado trabalhar com a frequência. A Alpha 9 III, em especial o obturador global, é um fator revolucionário.”
Embora a Alpha 9 II seja a sua câmara de eleição, Gonçalo valoriza a alta resolução da Alpha 1, especialmente ao captar a banda no palco a partir do público. “Adoro a Alpha 1,” explica, “porque posso captar à distância com as lentes FE 70-200mm f/2.8 GM OSS II ou FE 400mm f/2.8 GM OSS, e cortar ainda mais, se necessário”.
Embora tenha sempre uma lente teleobjetiva à mão, Gonçalo adora captar com as lentes de distância focal fixa, especialmente, as grande angular. “A minha lente preferida para fotografar concertos é a FE 14mm f/1.8 GM. Ser alto ajuda-me a captar o palco da partir de pontos de vista pouco comuns. Gosto de abraçar a sensação de estar em palco. Outros fotógrafos confiam na 70-200 mm, que é fantástica para grandes palcos, mas o meu kit perfeito é a Sony FE 14mm f/1.8 GM, FE 50mm f/1.2 GM e FE 135mm f/1.8 GM.”
Contudo, a nova FE 28-70mm f/2 GM cativou Gonçalo. “Estou apaixonado por esta lente! Recentemente, captei um espetáculo utilizando a Alpha 1 com a 14 mm para grandes planos e flexibilidade de corte, juntamente com a Alpha 7R V com a 28-70 mm. A sua versatilidade surpreendeu-me.”
É natural pressupor que fotografar um espetáculo ao vivo é um processo reativo, mas a preparação é fundamental para o trabalho de Gonçalo. Isto inclui até mesmo a iluminação em locais específicos. “Quando sei que um local não tem boa iluminação, costumo levar as minhas lentes f/1.2 e f/1.4, para ter sempre luz.” Também sabe que pode aumentar a sensibilidade ISO de qualquer câmara Sony que esteja a usar. “Posso aumentar a minha Alpha 1 para ISO 12 800 e a Alpha 9 III para ISO 51 200 sem problemas.”
Mas o verdadeiro planeamento resulta da observação e do conhecimento dos comportamentos dos artistas, pois Gonçalo sabe que é isso que confere destaque à imagem. “Quando não sei muito sobre a banda, costumo pesquisar para perceber como se movem e atuam em palco”, explica.
“Uma vez, ia fotografar uma banda australiana chamada Airborne e, de acordo com a minha pesquisa, havia videoclips que mostravam o vocalista a ir para o meio do público. Quando lá cheguei, soube que só nos era permitido fotografar as primeiras quatro músicas, o que é invulgar, pois normalmente são as primeiras três músicas. Por isso, suspeitei que algo iria acontecer durante a quarta música.”
E a intuição de Gonçalo estava certa. “Posicionei-me quando a terceira música estava a terminar, o que significa que estava lá quando o vocalista subiu para os ombros de um roadie. Tinha a FE 12-24mm f/2.8 GM e estava mesmo à frente dele. Entretanto, todos os outros fotógrafos estavam atrás. Fui caminhando para trás, com a lente a 12 mm, e enquadrei-o perfeitamente com o sol mesmo atrás. Depois, ele esmagou uma lata de cerveja na cabeça e toda a gente, incluindo eu, ficou encharcada. Mas consegui tirar a fotografia.”
Ao captar um concerto, o objetivo para Gonçalo é mais do que fotografar os artistas em palco - é sentir a música e contar uma história. “Pessoalmente, quero sentir a música através da fotografia”, explica. “Vivencio este sentimento e essa sensação ao longo do concerto, o que me motiva a tirar melhores fotografias para captar isso.”
"Dar nome aos anónimos e voz aos mudos"