dominika milek com a sua câmara sony e sel100400mc

Quietude e movimento

Dominika Miłek testa a Sony FE 100-400mm f/4.5 GM OSS

Para mim, a fotografia de vida selvagem começa pela atenção. Não ao que é óbvio, mas ao que é quase invisível, breves olhares, gestos subtis, momentos que surgem e desaparecem em segundos. É a capacidade de reparar no que a maioria das pessoas deixaria escapar. A direção de um olhar, a tensão num corpo, o instante imediatamente antes ou logo após o movimento. Estes pequenos sinais são, muitas vezes, os únicos indícios do que poderá acontecer a seguir.

© Dominika Miłek

Esse tipo de perceção cria uma sensação de proximidade, como se estivesse um passo mais perto do instante que está prestes a revelar-se. Porque a fotografia de vida selvagem não se resume ao tempo de reação. Trata-se de ler a situação, de intuir o que ainda está por vir. E, nesse processo, o equipamento nunca deve ser um obstáculo. Deve desaparecer, tornando-se algo que te permite agir sem hesitação.

um pelicano a pousar na água © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS + 2x Teleconverter| 1/3200s @ f/9.0, ISO 2500

Durante esta viagem, utilizei a nova Sony FE 100-400 mm f/4.5 GM OSS em combinação com a Alpha 1 II. Nos Cárpatos, tudo abrandou. A floresta parecia densa, pesada e silenciosa. A luz movia-se de forma imprevisível entre as árvores, revelando-se apenas em aberturas momentâneas. Fotografar ursos nestas condições não tem que ver com velocidade, mas com paciência e foco. Observas. E, quando finalmente algo acontece, acontece apenas uma vez.

um corvo-marinho pousado no seu ninho © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS + 2x Teleconverter | 1/2500s @ f/9.0, ISO 1250

Os ursos surgiam calmamente das sombras, permaneciam por instantes e desapareciam com a mesma discrição. Não havia pressa, apenas prontidão. Através do visor eletrónico, eu seguia os seus movimentos, à espera de algo quase impercetível: um ligeiro virar da cabeça, um breve olhar, um momento de hesitação. Por vezes, começava a cair uma chuva leve. A imagem suavizava-se, tornando-se mais atmosférica, mas também mais exigente. Exigia precisão.

jovem urso-pardo escondido atrás de uma rocha © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS | 1/1000s @ f/4.5, ISO 1000

Alguns dias depois, no Delta do Danúbio, tudo mudou. O ritmo era completamente diferente. Trabalhei essencialmente com aves e sabia, desde o início, que seria um desafio, exatamente aquilo que procurava. Surgiam de repente e desapareciam com a mesma rapidez. Por vezes, pousavam num ramo durante um segundo, tempo insuficiente para pensar. Esses breves momentos tornavam-se os mais importantes. Durante grande parte do tempo, fotografei a partir de um barco em movimento. A perspetiva mudava constantemente, o enquadramento era instável e cada decisão tinha de ser imediata. O vento dificultava tudo, os ramos agitavam-se, os reflexos quebravam-se na água, as aves reagiam a cada detalhe à sua volta. Não havia espaço para hesitação.

um guarda-rios pousado no ramo de uma árvore © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS | 1/2000s @ f/4.5, ISO 500

Trabalhar a partir do barco também mudou a minha perspetiva sobre a composição. Não havia consistência, nem repetição. Cada movimento alterava a distância, o fundo e o enquadramento. Nestas condições, a capacidade de ajustar a distância focal de imediato não era apenas útil, era essencial. Permitia-me reagir sem perder a ligação com o que estava a acontecer à minha frente. Primeiras impressões - na prática A versão anterior da Sony 100-400 mm f/4.5-5.6 foi a minha primeira objetiva de vida selvagem. Foi com ela que aprendi a trabalhar no terreno. Moldou a forma como observo. Por isso, assim que soube que havia uma nova versão, fiquei genuinamente curiosa, não pelas especificações, mas por saber como se comportaria em condições reais. O que notei primeiro não foi o desempenho, mas a forma como reagia durante a utilização. A objetiva é bem equilibrada e o design de zoom interno garante que nada se move durante o trabalho. Essa sensação de estabilidade faz uma grande diferença, especialmente ao fotografar com a câmara na mão ou a partir de um barco em movimento.

poupa pousada no ramo de uma árvore © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS + 2x Teleconverter | 1/2500s @ f/9.0, ISO 1250

Revela-se surpreendentemente leve, mesmo durante longos dias no terreno. E isso é mais importante do que as pessoas imaginam. A abertura f/4.5 constante simplifica o trabalho em condições de luz variáveis. Permite manter o foco na cena sem ter de ajustar continuamente a exposição ao fazer zoom. Nunca senti que tinha de me adaptar à objetiva. Foi ela que se adaptou à situação. Flexibilidade em condições reais Tenho trabalhado recentemente mais com objetivas de distância focal fixa, o que me ensinou a tomar decisões antes de algo acontecer. Aqui, permitiu-me mais flexibilidade, reagindo em tempo real. Nos Cárpatos, isso significou adaptar-me rapidamente ao movimento dos ursos. No Delta, tratava-se de manter uma ave no enquadramento enquanto me preparava para aquele breve instante de quietude. Essa flexibilidade cria liberdade e elimina a hesitação.

retrato em grande plano de um urso-pardo © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS | 1/1000s @ f/4.5, ISO 3200

Qualidade de imagem em condições desafiantes O que importa mais é como o equipamento reage quando as condições deixam de ser confortáveis. Nos Cárpatos, o desafio era o contraste, o pelo escuro contra aberturas brilhantes na floresta. Apesar disso, os detalhes nas sombras permaneceram nítidos. No Delta, a dificuldade era o movimento, os reflexos e a cor. A imagem mantinha-se natural e consistente. Em condições de luz constantemente variáveis, a minha prioridade era simples: a imagem tinha de preservar aquilo que o momento realmente transmitia.

sony sel100400mc acoplada a uma câmara alpha 1 © Dominika Miłek

Autofocus - o momento da verdade No Delta, o autofocus tornou-se essencial. As aves desapareciam entre ramos e reapareciam instantaneamente, mudando frequentemente de direção numa fração de segundo. A estabilidade era mais importante do que apenas a velocidade. O sistema mantinha o seguimento e não perdia o objeto durante breves obstruções. Isso permitiu-me manter o foco no momento e não na tecnologia. Em vez de me concentrar apenas na ação, passei a prestar mais atenção ao que acontecia entre esses instantes. Uma fração de segundo em que uma ave olha diretamente para a objetiva ou faz uma breve pausa. Não há tempo para correções. Reages ou o momento dissipa-se. É um outro tipo de tensão. Mais silencioso. Mais preciso. Isso não significa abdicar do movimento. Um pelicano a pousar na água continua a ser uma transição, aquele breve instante antes do contacto, quando tudo fica suspenso. É aí que a imagem acontece.

um pelicano a deslizar sobre a água © Dominika Miłek | Sony α1 II + FE 100-400mm f/4.5 GM OSS + 2x Teleconverter | 1/4000s @ f/9.0, ISO 2500

Teleconversor - um teste à realidade Os teleconversores soam sempre bem em teoria. Na prática, as suas limitações surgem muito rapidamente. Durante esta viagem, trabalhei exclusivamente com um teleconversor de 2x, o que significou perder luz e trabalhar com valores ISO mais elevados. E ainda assim, nunca senti que me limitava. O autofocus permaneceu fiável e a qualidade de imagem foi suficientemente sólida para tratar estas imagens como finais. O alcance adicional fez uma grande diferença. Permitiu-me manter a distância, sem interferir com o comportamento animal, captando ainda assim detalhes que, de outra forma, exigiriam aproximar-me. A fotografia de vida selvagem não é confortável. Implica longas esperas, condições imprevisíveis e momentos que só acontecem uma vez. Nos Cárpatos, foi necessária paciência. No Delta, prontidão. É importante que o equipamento esteja à altura de ambas.

dominika milek com a sua câmara sony e sel100400mc © Dominika Miłek

Esta viagem fez-me perceber que, na fotografia de vida selvagem, tudo está interligado: a distância focal, a luz, a distância ao objeto e o timing. E ainda assim, nada disso é o que permanece mais tempo. O que fica são aqueles momentos silenciosos, quase invisíveis, quando tudo se alinha por apenas um segundo. São esses os momentos que permanecem.

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