homem a segurar uma claquete

Concebida para contar histórias | Sony FX5

Ruben Scott

O meu nome é Ruben Scott. Sou realizador e trabalho tanto em filmes de ficção como em produções comerciais.

Para o meu mais recente projeto, “Different, but Same”, quis explorar a ideia de que, apesar de sermos todos diferentes, há sempre algo que nos une: interesses partilhados, passatempos e pequenas coisas em comum que, à partida, nunca imaginaríamos. Foi essa ideia que deu origem a este projeto.

Desde o início, percebi que esta ia ser uma rodagem bastante complexa. Havia muitos atores e uma equipa numerosa. Pela minha experiência, este tipo de produção obriga-nos a equilibrar constantemente a interpretação dos atores, o tempo e o espaço.

A história decorre numa sala de espera durante um estudo em que as pessoas são emparelhadas com base em interesses partilhados, mas só no próprio dia descobrem quem é o seu par. Esse cenário deu-nos a liberdade de explorar a incerteza e a expectativa. Permitiu-nos simplificar a narrativa e deixar que o público ligasse os pontos.

© Ruben Scott

Ao longo de toda a rodagem, reduzimos ao mínimo o movimento de câmara. Na maior parte do tempo, deixámos a ação desenrolar-se naturalmente. Incluímos alguns movimentos suaves de dolly e pequenos reajustes de enquadramento quando necessário, mas sem nunca desviar a atenção da história. Procurámos sempre centrar-nos nas interpretações e deixar que fossem elas a conduzir tudo o resto. Como o filme não tem diálogo, as interpretações ganham uma importância ainda maior.

A localização também desempenhou um papel determinante no aspeto visual e na atmosfera do filme. Filmámos num estúdio de gravação que já tinha muita personalidade. Tinha painéis de madeira em tons quentes e alaranjados, com um toque ligeiramente nostálgico. Não eram apenas quatro paredes brancas, e isso ajudou-nos imenso. Em vez de tentarmos construir a sala de espera do zero, optámos por tirar partido daquilo que o espaço já oferecia.

câmara sony fx5 num tripé a filmar uma cena no interior © Ruben Scott

Isso acabou por influenciar naturalmente a forma como abordámos a iluminação. Usámos uma grande fonte de luz suave suspensa para garantir consistência e permitir-nos mover a FX5 rapidamente. Depois colocámos alguns candeeiros no cenário para dar mais calor e profundidade. O objetivo era manter um aspeto suave e natural, mas ainda assim com contraste suficiente para definir os rostos e conduzir o olhar para a personagem principal no centro.

Como estávamos a trabalhar com uma combinação de candeeiros no enquadramento e zonas mais escuras do espaço, os mais de 15 pontos de gama dinâmica da câmara revelaram-se fundamentais. Houve muitos momentos em que os candeeiros de luz quente estavam visíveis no enquadramento, mas continuávamos a precisar de preservar o detalhe nas zonas envolventes. As opções de ISO de base da FX5 também foram uma enorme ajuda. Com esta câmara, nunca sentimos que tivéssemos de estar constantemente a proteger os realces ou a sacrificar o detalhe nas sombras devido ao ruído.

A combinação do novo sensor empilhado de 16,6 MP com as objetivas Arles Prime revelou-se excelente a captar os detalhes nos grandes planos do elenco. As texturas da pele e dos figurinos pareciam incrivelmente naturais.

Desde o início, demos uma atenção muito especial à cor. Queríamos uma paleta vibrante e ligeiramente inspirada nos anos 70, mas ainda assim moderna. Este projeto seria um bom teste para a câmara. Grande parte desse resultado deveu-se às escolhas de guarda-roupa e de direção artística, mas a forma como a câmara reproduziu essas cores correspondeu exatamente ao que pretendíamos.

homem a ajustar as definições numa câmara sony fx5 © Ruben Scott

Os tons de pele eram especialmente importantes porque tínhamos um elenco muito diverso, todos sob as mesmas condições de luz. Era essencial que tudo funcionasse em harmonia. O que notei foi como os tons de pele se mantiveram estáveis e naturais nas diferentes configurações. É algo que também já verifiquei ao trabalhar com a Sony VENICE e a BURANO. Há algo de familiar na forma como estes sistemas reproduzem as cores e fazem a transição dos realces, e esta câmara transmite essas mesmas qualidades, apenas numa estrutura mais compacta e versátil.

Optámos por filmar internamente em X-OCN de 16 bits porque sabíamos que iríamos querer total flexibilidade na pós-produção. Houve momentos em que puxámos ligeiramente pelas cores ou ajustámos a exposição em algumas zonas do enquadramento, e o material manteve-se muito sólido. Nada pareceu degradar-se ou perder qualidade. Mesmo ao trabalhar em diferentes condições de luz, os tons de pele mantiveram-se consistentes, o que nos ajudou bastante na gradação de cor.

homem sentado a ser filmado © Ruben Scott

Do ponto de vista do fluxo de trabalho, estávamos a filmar com uma equipa de dimensão média num único dia, por isso era essencial sermos rápidos. O que se destacou foi a forma como a câmara se integrou facilmente no ritmo das nossas filmagens. Não atrasou o processo nem nos obrigou a repensar a forma como trabalhávamos.

Tendo trabalhado anteriormente com a VENICE e a BURANO, também tinha curiosidade em perceber como é que esta câmara se enquadra no universo mais amplo da CineAlta. A câmara não transmite a ideia de ser uma linha separada da gama; integra-se na mesma família, apenas adaptada para um tipo de produção mais ágil. Até a estrutura dos menus e o funcionamento geral são familiares, o que é uma grande ajuda quando se alterna entre diferentes câmaras Sony ao longo de vários projetos.

© Ruben Scott

Para mim, a FX5 resultou porque nos deu uma enorme liberdade: liberdade para captar exatamente o que queríamos, para explorar a imagem na pós-produção e para manter o foco na narrativa, em vez do equipamento ou de eventuais dificuldades técnicas. É isso que realmente procuro numa câmara.

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