O meu nome é Ruben Scott. Sou realizador e trabalho tanto em filmes de ficção como em produções comerciais.
Para o meu mais recente projeto, “Different, but Same”, quis explorar a ideia de que, apesar de sermos todos diferentes, há sempre algo que nos une: interesses partilhados, passatempos e pequenas coisas em comum que, à partida, nunca imaginaríamos. Foi essa ideia que deu origem a este projeto.
Desde o início, percebi que esta ia ser uma rodagem bastante complexa. Havia muitos atores e uma equipa numerosa. Pela minha experiência, este tipo de produção obriga-nos a equilibrar constantemente a interpretação dos atores, o tempo e o espaço.
A história decorre numa sala de espera durante um estudo em que as pessoas são emparelhadas com base em interesses partilhados, mas só no próprio dia descobrem quem é o seu par. Esse cenário deu-nos a liberdade de explorar a incerteza e a expectativa. Permitiu-nos simplificar a narrativa e deixar que o público ligasse os pontos.
Ao longo de toda a rodagem, reduzimos ao mínimo o movimento de câmara. Na maior parte do tempo, deixámos a ação desenrolar-se naturalmente. Incluímos alguns movimentos suaves de dolly e pequenos reajustes de enquadramento quando necessário, mas sem nunca desviar a atenção da história. Procurámos sempre centrar-nos nas interpretações e deixar que fossem elas a conduzir tudo o resto. Como o filme não tem diálogo, as interpretações ganham uma importância ainda maior.
A localização também desempenhou um papel determinante no aspeto visual e na atmosfera do filme. Filmámos num estúdio de gravação que já tinha muita personalidade. Tinha painéis de madeira em tons quentes e alaranjados, com um toque ligeiramente nostálgico. Não eram apenas quatro paredes brancas, e isso ajudou-nos imenso. Em vez de tentarmos construir a sala de espera do zero, optámos por tirar partido daquilo que o espaço já oferecia.
Isso acabou por influenciar naturalmente a forma como abordámos a iluminação. Usámos uma grande fonte de luz suave suspensa para garantir consistência e permitir-nos mover a FX5 rapidamente. Depois colocámos alguns candeeiros no cenário para dar mais calor e profundidade. O objetivo era manter um aspeto suave e natural, mas ainda assim com contraste suficiente para definir os rostos e conduzir o olhar para a personagem principal no centro.
Como estávamos a trabalhar com uma combinação de candeeiros no enquadramento e zonas mais escuras do espaço, os mais de 15 pontos de gama dinâmica da câmara revelaram-se fundamentais. Houve muitos momentos em que os candeeiros de luz quente estavam visíveis no enquadramento, mas continuávamos a precisar de preservar o detalhe nas zonas envolventes. As opções de ISO de base da FX5 também foram uma enorme ajuda. Com esta câmara, nunca sentimos que tivéssemos de estar constantemente a proteger os realces ou a sacrificar o detalhe nas sombras devido ao ruído.
A combinação do novo sensor empilhado de 16,6 MP com as objetivas Arles Prime revelou-se excelente a captar os detalhes nos grandes planos do elenco. As texturas da pele e dos figurinos pareciam incrivelmente naturais.
Desde o início, demos uma atenção muito especial à cor. Queríamos uma paleta vibrante e ligeiramente inspirada nos anos 70, mas ainda assim moderna. Este projeto seria um bom teste para a câmara. Grande parte desse resultado deveu-se às escolhas de guarda-roupa e de direção artística, mas a forma como a câmara reproduziu essas cores correspondeu exatamente ao que pretendíamos.
Os tons de pele eram especialmente importantes porque tínhamos um elenco muito diverso, todos sob as mesmas condições de luz. Era essencial que tudo funcionasse em harmonia. O que notei foi como os tons de pele se mantiveram estáveis e naturais nas diferentes configurações. É algo que também já verifiquei ao trabalhar com a Sony VENICE e a BURANO. Há algo de familiar na forma como estes sistemas reproduzem as cores e fazem a transição dos realces, e esta câmara transmite essas mesmas qualidades, apenas numa estrutura mais compacta e versátil.
Optámos por filmar internamente em X-OCN de 16 bits porque sabíamos que iríamos querer total flexibilidade na pós-produção. Houve momentos em que puxámos ligeiramente pelas cores ou ajustámos a exposição em algumas zonas do enquadramento, e o material manteve-se muito sólido. Nada pareceu degradar-se ou perder qualidade. Mesmo ao trabalhar em diferentes condições de luz, os tons de pele mantiveram-se consistentes, o que nos ajudou bastante na gradação de cor.
Do ponto de vista do fluxo de trabalho, estávamos a filmar com uma equipa de dimensão média num único dia, por isso era essencial sermos rápidos. O que se destacou foi a forma como a câmara se integrou facilmente no ritmo das nossas filmagens. Não atrasou o processo nem nos obrigou a repensar a forma como trabalhávamos.
Tendo trabalhado anteriormente com a VENICE e a BURANO, também tinha curiosidade em perceber como é que esta câmara se enquadra no universo mais amplo da CineAlta. A câmara não transmite a ideia de ser uma linha separada da gama; integra-se na mesma família, apenas adaptada para um tipo de produção mais ágil. Até a estrutura dos menus e o funcionamento geral são familiares, o que é uma grande ajuda quando se alterna entre diferentes câmaras Sony ao longo de vários projetos.
Para mim, a FX5 resultou porque nos deu uma enorme liberdade: liberdade para captar exatamente o que queríamos, para explorar a imagem na pós-produção e para manter o foco na narrativa, em vez do equipamento ou de eventuais dificuldades técnicas. É isso que realmente procuro numa câmara.