Criatividade em harmonia

Ron Timehin

Ter uma epifania enquanto se sobrevoa a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, parece quase demasiado perfeito. Mas, para o fotógrafo Ron Timehin, foi precisamente isso que aconteceu. “Estava no Rio há alguns dias,” recorda, “e a viagem de helicóptero já há muito que estava planeada. A vista era deslumbrante, mas, a nível emocional, nada se comparava ao que tinha sentido no dia anterior. Nesse momento, decidi mudar a forma como trabalhava a fotografia.”

rapaz sentado a tocar sousafone © Ron Timehin | Sony α7R V + FE 50-150mm f/2 GM | 1/100s @ f/2.0, ISO 1600

Vinte e quatro horas antes, Ron fotografava crianças locais a tocar instrumentos de sopro na Favela Pereira da Silva, uma pequena comunidade no sul da megacidade. Segundo Ron, ali foi criado um programa que disponibiliza aulas de música a crianças e jovens da comunidade. “Chama-se Favela Brass,” explica, “e foi criado por Tom Ashe, do Reino Unido. A viver na cidade, percebeu que as crianças das famílias mais carenciadas não tinham qualquer oportunidade de aprender música. E, dado que os instrumentos de metal são muito mais caros no Brasil do que no Reino Unido, muitos simplesmente não os conseguem adquirir.” Depois de assistir a um documentário sobre o programa, Ron apaixonou-se pelo conceito. “Fez-me recordar o quanto a música marcou a minha infância. Tocava trompete e passava grande parte do meu tempo em atuações orquestrais. Aprender a tocar um instrumento tem um valor incalculável. Ensina-te que a disciplina e a dedicação compensam, como colaborar numa banda e lidar com os nervos durante uma atuação. E também alarga os teus horizontes. Tirar fotografias das minhas viagens foi o que me motivou a tornar-me fotógrafo.”

três crianças a tocar instrumentos de sopro em metal © Ron Timehin | Sony α7R V + FE 28-70mm f/2 GM | 1/125s @ f/2.8, ISO 1600

Tendo começado com apenas quatro alunos, o Favela Brass cresceu para 150, e as várias bandas atuam no mundialmente famoso Carnaval do Rio, onde tocam samba, mas também jazz e música pop. Inspirado pela história, Ron quis fotografar os músicos. “A ideia era fotografar os alunos nos seus ambientes e também enquanto tocavam, criando imagens úteis que pudessem utilizar para se promoverem. Fomos à escola, conhecemos os alunos e os professores e vimos os espaços onde praticavam e conviviam. Para ajudar, contámos com um guia da favela que conhecia a área e os moradores, a sua namorada, o meu namorado e um assistente de iluminação do Rio, o que nos garantiu acesso ao equipamento necessário.”

um jovem com óculos de sol a tocar sousafone © Ron Timehin | Sony α7R V + FE 50-150mm f/2 GM | 1/100s @ f/2.0, ISO 320

“Isso revelou-se importante logo à partida”, diz Ron. “Tinha planeado fotografar durante o dia, mas esqueci-me de que estavam na escola! Isso significou trabalhar depois de anoitecer, por isso ter acesso a iluminação foi excelente. Colocámos LEDs para reforçar a luz disponível nas ruas, usando-os por vezes como luz principal ou, por trás, como luz de recorte para garantir separação. Por exemplo, a rapariga que está a tocar bateria é iluminada sobretudo por um candeeiro de rua, com LEDs a suavizar as sombras e a criar pontos de destaque. Utilizámos luzes bicolores para combinar com as lâmpadas da cena.”

rapaz a segurar um trompete numa varanda à noite © Ron Timehin | Sony α7R V + FE 50-150mm f/2 GM | 1/100s @ f/2.0, ISO 1600

Segundo Ron, apesar de não fazer parte do plano inicial, a iluminação contínua também o ajudou a trabalhar de forma rápida e discreta. “O flash pode obviamente atrair atenções e, embora aquela favela seja uma das mais seguras do Rio, é sempre melhor passar despercebido quando se trabalha na rua. Com LEDs, vês a iluminação diretamente no visor eletrónico, ajustas a exposição no momento e precisas de menos preparação.” Outro fator determinante foi a opção de Ron por uma Sony Alpha 7R V e pelas objetivas FE 28-70mm f/2 GM e FE 50-150mm f/2 GM. “Os LEDs não têm a potência de um flash, por isso é preciso fotografar com objetivas rápidas e usar ISOs mais elevados”, explica. “Mas um modelo como a Alpha 7R V oferece uma qualidade de imagem soberba mesmo em definições como ISO 1600. E, com objetivas de f/2, ganha-se um ponto de luz inteiro face a f/2.8, permitindo que 1/50 s se transforme num muito mais prático 1/100 s. São objetivas surpreendentemente leves e compactas para a abertura que oferecem e, juntamente com a Alpha 7R V, formavam um conjunto que cabia facilmente numa pequena mochila.”

uma jovem sentada a segurar um trombone © Ron Timehin | Sony α7R V + FE 28-70mm f/2 GM | 1/200s @ f/2.0, ISO 1600

Segundo Ron, as emoções que sentiu ao trabalhar com a banda levaram-no a abraçar mais projetos deste género. “Eu costumava ir a sítios como o Rio e concentrar-me nos pontos históricos, mas trabalhar com pessoas tornava tudo mais pessoal e próximo. Adorava voltar e fotografá-los novamente a atuar ou documentá-los a ensaiar em casa. Tom Ashe ficou igualmente encantado com as fotografias e irá usá-las para dar continuidade ao bom trabalho. Estou verdadeiramente orgulhoso deste projeto”, conclui. “Ser integrado naquela história e poder apoiá-los foi um privilégio. E mostrou-me que a fotografia pode unir as pessoas da mesma forma que a música.”

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Ron Timehin | UK

"A fotografia permite processar, apreciar e interpretar o mundo à minha volta"

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