A noite é uma ferramenta
Para mim, fotografar à noite é uma ferramenta à minha disposição. No escuro, é normal que os restantes sentidos fiquem mais apurados. Começamos a prestar atenção aos cheiros, à temperatura e aos sons. Depois, damos conta da luz que temos à nossa disposição, seja pela lua cheia no céu ou pelas centenas de estrelas que também aí brilham, e podemos aproveitar desta experiência de sensações para influenciar a fotografia.
Pintar com luz
A noite é como que uma tela em branco: podemos escolher o que queremos iluminar e revelar. Para isso, uso uma lanterna e interajo com a cena.
Se simplesmente colocarmos a câmara num tripé e nos pusermos atrás dela com uma lanterna, vamos obter uma imagem nada agradável, parecendo estar iluminada pelo flash da câmara. Em vez disso, opto por me mover pela cena e por mover a lanterna de forma uniforme.
Os detalhes técnicos básicos
Quando fotografamos à noite, estamos a lutar contra a falta de luz. É essencial usar um tripé, para que a exposição seja mais longa e capture o máximo de luz possível, mantendo sempre a focagem da cena. É necessária uma velocidade do obturador suficientemente longa para ver a luz das estrelas. No entanto, outra luta constante é a rotação da Terra, que faz com que as estrelas fiquem desfocadas se a velocidade do obturador for demasiado longa.
Regra geral, se queremos captar um céu estrelado perfeito, as frações de segundo da velocidade do obturador devem corresponder à distância focal. Por exemplo, uma distância focal de 20 mm significa que a exposição não pode ser superior a 20 segundos. Normalmente, fotografo com as lentes FE 12-24mm f/4 G ou FE 16-35 f/2.8 GM. Ambas são ótimas para fotografar paisagens noturnas, mas também para tirar fotografias durante o dia.
Normalmente, coloco a velocidade do obturador entre 20 e 30 segundos. Isto significa que não me importo de ter um pouco de movimento nas estrelas, adicionando até uma sensação onírica às minhas imagens. Para além disso, também existem razões práticas. Por exemplo, com estas velocidades, tenho mais tempo para iluminar a cena, e isso significa que posso usar um ISO razoável, como o ISO 3200 ou 6400.
Um dos melhores aspetos de fotografar com a Sony Alpha 1 e com a Sony Alpha 7R IV é que posso confiar totalmente nestas definições de sensibilidade do ISO, uma vez que a qualidade de imagem é sempre excelente.
Redução de ruído de exposição longa na câmara
Não quero passar horas a processar as imagens e a usar diversos tipos de software de redução de ruído. Por isso, uso sempre a incrível funcionalidade de redução de ruído de exposição longa das câmaras Sony Alpha (Menu>Fotografia > Qualidade de imagem > Redução de ruído de exposição longa > Ativar). Isto cria uma segunda exposição, com o mesmo tempo e com o obturador fechado para detetar píxeis quentes no sensor, calcula o ruído na imagem e depois subtrai-o da imagem inicial.
Utilize uma fonte de luz de qualidade
Ter uma lanterna LED poderosa é apenas uma parte da história, uma vez que a temperatura da luz também é importante. Para mim, a Via Láctea fica sempre melhor a uma temperatura de cerca de 3500 Kelvin. Por isso, certifico-me de que a minha fonte de luz se assemelha a esta temperatura. Se não o fizermos, a paisagem pode ficar demasiado quente ou demasiado fria em relação ao céu.
Outro fator importante é o índice de reprodução da cor, ou CRI. Este mede o quão bem a luz reproduz os comprimentos de onda de cores em comparação com a luz do dia. Uma luz de fraca qualidade pode produzir cores estranhas. É necessária uma lanterna com um CRI alto, cerca de 97%, para ver uma grande diferença nos detalhes da cor de uma cena.
Focagem
Para manter a focagem do primeiro plano ao máximo, não é necessário levar a focagem até ao infinito. Em vez disso, usamos a focagem manual e controlamos o indicador de focagem. Para tal, focamos a lente até que o indicador nos mostre que atingimos a focagem infinita sem estarmos à distância focal máxima.