Sou Duncan Bonnifay, realizador e diretor de fotografia francês, e trabalho sobretudo com filmes comerciais e conteúdos de bastidores para outros realizadores. As câmaras Sony fazem parte do meu percurso desde o início, por isso, quando fui contactado para criar o filme de lançamento da nova Sony FX5, senti genuinamente que estava perante um projeto de sonho. Inicialmente, pensei que teria cerca de três meses para preparar tudo. Na realidade, tive menos de um mês para escrever, planear, filmar e editar o filme de beleza, ao mesmo tempo que produzia conteúdos de bastidores, conteúdos complementares e fotografias de produção. Foi intenso, mas essa pressão acabou por dar ao projeto um rumo criativo muito estimulante.
A Sony deu-me bastante liberdade. Não queria fazer um filme de produto tradicional, nem apresentar a câmara apenas como um objeto. Queria criar algo cinematográfico, emocional e completo, quase como um filme comercial, mas sem depender de uma marca ou produto existente. O ponto de partida foi o slogan, “Lighting the Way Forward” (A iluminar o caminho para o futuro). Enquanto diretor de fotografia, a luz é tudo. Molda imagens, revela emoções e dá sentido a um enquadramento. Mas, nessa altura da minha vida, a luz também tinha um significado mais pessoal. Poucos meses antes do projeto, perdi a minha avó. Essa experiência mudou a forma como entendia a luz. Tornou-se algo mais silencioso, algo invisível, mas presente, algo que te pode guiar quando te sentes perdido. Assim, o filme transformou-se na história de uma pintora que perdeu a criatividade e viaja por diferentes mundos e elementos até reencontrar o caminho de volta à criação.
Porque é que escolheste uma abordagem tão poética em vez de algo mais realista? Queria que o filme funcionasse em dois níveis. À superfície, é a história de uma artista que tenta reencontrar a sua criatividade. Num nível mais profundo, é também uma discreta homenagem à memória, à ausência e à forma como a arte nos pode ajudar a atravessar o luto sem explicar tudo de forma tão direta. Uma história realista teria tornado a mensagem demasiado explícita. Queria algo mais universal, que permitisse a cada espetador projetar os seus próprios sentimentos e interpretações. A pintora, a tela em branco, a luz, a floresta, as dunas e o oceano transformaram-se em metáforas. Permitiram-me falar sobre criatividade e perda sem ter de dizer muito. Como é que saber que tinhas um novo sensor e RAW interno afetou a escrita do guião? Não escrevi o filme em torno das especificações técnicas, mas saber o que a FX5 era capaz de fazer deu-me muita confiança. Sabia que podia filmar com a câmara na mão, trabalhar em Open Gate, usar objetivas anamórficas, gravar em câmara lenta e gravar X-OCN RAW internamente sem precisar de montar equipamento pesado. Essa liberdade influenciou a estrutura do filme. Permiti-me circular entre ambientes muito diferentes: floresta, deserto, paisagens vulcânicas, oceano, chuva e um cenário interior inspirado numa casa senhorial. Também planeei mais movimento do que normalmente faria com um prazo tão apertado. Na floresta de Anaga, por exemplo, Marjorie corre entre as árvores enquanto eu a sigo com a FX5 reduzida ao essencial num DJI RS 4 Pro. A leitura mais rápida também me deu confiança para filmar com a câmara na mão e em planos de seguimento da ação, sem a preocupação constante do obturador rolante.
Como é que conseguiste manter a consistência visual em ambientes tão diferentes? Não queria que todos os locais parecessem iguais. A floresta, as dunas, as rochas vulcânicas, a chuva e a casa senhorial precisavam de ter a sua própria identidade. O filme explora a travessia entre mundos emocionais, e essas diferenças eram fundamentais. O que queria era unificar a linguagem global da imagem: contraste, densidade, tons de pele e a forma como a luz interage com a personagem. O fluxo de trabalho em X-OCN ajudou bastante, porque me deu a flexibilidade necessária na gradação para moldar cada mundo mantendo a mesma base cinematográfica. Nas ilhas, moldámos sobretudo a luz natural com refletores e espelhos. Na casa senhorial, tudo era muito mais controlado, com fontes colocadas no exterior das janelas, mas procurei manter a mesma suavidade e contraste presentes nas imagens captadas no exterior.
Como é que o novo ecrã e visor eletrónico ajudaram no set? O ecrã de 3,5 polegadas em formato 16:9 tornou a câmara muito mais prática. Estávamos sempre em movimento: a caminhar, a correr na areia, a subir rochas, a filmar à chuva e a viajar entre ilhas. Nessas condições, cada acessório faz a diferença. Ao filmar em anamórfico, sobretudo em Open Gate, ter uma monitorização adequada e suporte para desqueeze diretamente na câmara fez toda a diferença. Conseguia enquadrar bem sem precisar de montar um sistema de monitorização mais complexo sempre que filmava. Ao mudar para as objetivas Sony G Master para planos mais práticos, o ecrã também me deu uma imagem limpa sem fazer com que a estrutura parecesse sobrecarregada. O visor eletrónico amovível tornou-se uma das ferramentas mais úteis da filmagem. Na Gran Canaria, sobretudo nas dunas, a luz era extremamente intensa. A areia refletia tudo, e o meu monitor externo não conseguia competir com o sol. Com o visor eletrónico, conseguia isolar-me do ambiente e avaliar corretamente o enquadramento, a exposição e a focagem. Ter cores falsas e ferramentas de exposição integradas na câmara foi fundamental naquelas condições. De que forma é que o menu inspirado na CineAlta afetou o teu fluxo de trabalho? Ao passar da FX3 para a FX5, o menu pareceu-me diferente no início. Houve uma curva de aprendizagem, especialmente porque estava a explorar a câmara em plena pressão de produção. Mas, depois de perceber a lógica, a hierarquia orientada para cinema passou a fazer sentido. A câmara assumia-se como uma verdadeira ferramenta de produção. As ferramentas de exposição, a monitorização, as definições de RAW, as frequências de fotogramas e as opções profissionais faziam parte de um fluxo de trabalho totalmente natural. Como não tinha um assistente de câmara principal dedicado, isso foi particularmente importante. Tive de assumir a operação, a exposição, o enquadramento, a focagem e todas as decisões rápidas sozinho. Por exemplo, em Las Grietas, alternava entre Open Gate e 16:9 para aproveitar a estabilização nos planos de seguimento com a câmara na mão, sem ter de reconfigurar a câmara. Na sequência da chuva, usei muito as cores falsas porque não estava a usar um monitor externo. Ter essas ferramentas integradas na estrutura da câmara poupou-me tempo e permitiu-me manter a atenção na imagem.
O que te levou a optar pelo X-OCN C1? Filmei em X-OCN C1 porque me deu o equilíbrio certo entre qualidade, flexibilidade e tamanhos de ficheiro realistas. Este projeto foi criado sobretudo para YouTube, redes sociais, versões verticais, marketing digital e uma estreia no cinema Le Grand Rex. Precisava da flexibilidade do RAW para a gradação e os ajustes de exposição, mas também tinha de pensar no armazenamento, nos backups e no desempenho na edição. Quando filmas durante quase duas semanas em várias ilhas, com câmara lenta e múltiplas entregas, os dados passam a fazer parte do fluxo de trabalho criativo. O X-OCN C1 deu-me a flexibilidade necessária sem criar ficheiros exageradamente grandes. Neste tipo de lançamento, a diferença visual é praticamente impercetível, mas em termos de tempo de backup e espaço em disco, faz uma enorme diferença. Qual foi a tua reação ao fazer a gradação da filmagem? Sendo o meu próprio colorista, gradar a filmagem em X-OCN foi realmente gratificante. O filme contou com situações muito diversas: horizontes de deserto intensamente iluminados, florestas densas, rochas vulcânicas negras, água verde, chuva, pouca luz e interiores controlados. A latitude e a flexibilidade do RAW deram-me margem para moldar cada ambiente sem comprometer a qualidade da imagem. O objetivo não era tornar tudo idêntico, mas fazer com que tudo fizesse parte do mesmo filme. Pude recuperar realces, controlar sombras e trabalhar os tons de pele com total confiança. Em Lanzarote, criámos um plano em quase total escuridão usando apenas uma lanterna frontal, um refletor e um pouco de atmosfera. Graças ao desempenho da câmara em baixa luminosidade e à flexibilidade do RAW, a imagem final ganhou uma dimensão muito maior do que a configuração real.
Como é que a FX5 se compara à FX3? Adoro a FX3. Tem sido uma parte fundamental do meu trabalho porque é pequena, fiável e fácil de transportar. Mas a FX5 representa um passo claro rumo a uma câmara de cinema compacta. A imagem ganha densidade, as ferramentas de monitorização tornam-se mais fortes e o X-OCN RAW interno transforma o modo de trabalhar. Com a FX3, configuro muitas vezes a câmara em função do que preciso. Com a FX5, muitas dessas ferramentas de cinema já estão integradas na própria estrutura. Parece menos uma câmara mirrorless a tentar tornar-se uma câmara de cinema e mais uma câmara de cinema compacta desde o início. Que configurações de objetivas utilizaste? Mantive o kit de objetivas o mais reduzido possível porque estávamos sempre a viajar e a fazer caminhadas. Para o trabalho cinematográfico principal, utilizei as objetivas DZO Arles, sobretudo a 35 mm e a 50 mm, e a 18 mm para um plano superior na casa senhorial. Também utilizei as Thypoch Simera-C para um resultado mais leve e orgânico. Para o trabalho anamórfico, utilizei as objetivas DZO Arcana, especialmente na floresta de Anaga. Para a sequência da chuva, mudei para a Sony FE 24-70mm f/2.8 GM II porque precisava de autofocus, resistência a intempéries e rapidez.
O que esperas que os espetadores sintam depois de verem o filme? Espero que sintam alguma coisa antes de pensarem na câmara. Claro que o filme existe para mostrar do que a FX5 é capaz, mas não queria que a tecnologia dominasse a história. Queria que a luz, a imagem e a emoção estivessem em primeiro plano. O meu conselho para os realizadores é que vejam a FX5 como uma verdadeira ferramenta de cinema numa estrutura compacta. Não uses todas as funcionalidades só porque existem. Utiliza o Open Gate, o X-OCN, o visor eletrónico, a câmara lenta e o autofocus sempre que fizerem sentido para a narrativa. Para mim, a verdadeira força da FX5 está em oferecer possibilidades de cinema de alto nível, permitindo-te ao mesmo tempo manter a mobilidade, a rapidez e a intencionalidade. Não te ajuda apenas a captar uma imagem. Ajuda-te a criá-la.