Em 2021, ainda o mundo sentia as repercussões dos confinamentos da Covid, o fotógrafo documental Andrea Frazzetta reparou em algo estranho quando levava ao seu filho ao parque. "Das primeiras vezes, o meu filho tinha medo", confessa. "Todo o ambiente à sua volta era estranho e alarmante. Apercebi-me de que, até àquela altura, ele passara a maior parte da sua vida numa caixa. E apesar de a minha experiência ser obviamente diferente, eu sentia uma necessidade semelhante de afastar o trauma e as perdas do ano que tínhamos tido."
Enquanto pai, Andrea sabia que tinha de fazer alguma coisa. Tinha de ajudar o filho a estabelecer uma ligação com a natureza e, idealmente, ele próprio esperava encontrar alguma alegria no exterior. Felizmente, os dois objetivos não tardaram a concretizar-se, surgindo também a oportunidade de Andrea pôr em prática as suas competências fotográficas e alcançar algo alegre. "As escolas ainda estavam todas fechadas, pelo que começámos a pensar numa alternativa", explica. "Encontrámos esta opção de «educação natural». Isto é, jardins de infância que incentivam as crianças a aprender ao ar livre e não numa sala de aulas. Matriculei o meu filho num desses jardins de infância, na zona rural nos arredores de Milão, e fiquei logo maravilhado. Adorei a forma como miúdos estavam na natureza, as suas experiências e o impacto visual de tudo."
Tendo passado apenas alguns meses depois do desafio que fora fotografar médicos e enfermeiros exaustos numa ala Covid em Bérgamo, Andrea estava agora num espaço completamente diferente, tanto física como emocionalmente. E apesar de este ser um contexto diferente do dos seus objetos habituais, o desejo de contar uma história e as competências para o fazer mantinham-se.
"Enquanto fotógrafo documental, vi uma grande oportunidade nestas escolas", explica, "algo de que muitas crianças poderiam tirar partido, caso eu o conseguisse promover através das minhas fotografias. Mesmo antes da Covid, todos nós passávamos muito tempo em caixas, fossem elas casas, salas de aula ou escritórios."
Foi assim que Andrea passou os três meses que se seguiram a fotografar seis "jardins de infância naturais", a começar pela escola ao ar livre do seu próprio filho, em Milão, passando entre uma semana a dez dias a trabalhar em cada um dos locais. "Encontravam-se em lugares por toda a Itália", explica, "alguns no campo nos arredores das cidades, outros nas montanhas ou na costa. E eram sempre incríveis de se ver."
De acordo com Andrea, contar bem a história destes lugares exigiu uma combinação de trabalho no terreno, das funcionalidades técnicas das suas câmaras Alpha e do fator mais importante: o tempo. "Normalmente, quando trabalho para revistas ou jornais, o trabalho é curto", explica, "mas, para este projeto, recebi uma bolsa da National Geographic Society, que apoiava fotógrafos a trabalhar nas suas próprias comunidades. O tempo extra ajudou-me a ficar imerso em cada um dos locais e até alterou o estilo das minhas imagens."
As câmaras Sony Alpha 7RIII e 7R IV ajudaram Andrea de maneiras diferentes. "Tal como no meu trabalho habitual, usei duas estruturas para não ter de trocar de lentes", afirma, "por isso, as dimensões pequenas destas estruturas e a sua leveza ajudam muito. Além disso, tirei a maioria das fotografias por composição, rodando o ecrã para fotografar ao nível ou abaixo da cintura. Assim, conseguia ficar à altura da linha de visão das crianças e não parecia tanto que estava a tirar uma fotografia. Quando lhes pomos uma câmara à frente dos olhos, as pessoas, incluindo as crianças, reagem de maneira diferente."
Segundo Andrea, também vital foi a capacidade de as câmaras Alpha 7R captarem imagens silenciosamente, bem como a sua velocidade de focagem. "O obturador silencioso é transformador no trabalho documental", explica, "porque é mais uma maneira de trabalhar com liberdade completa e maior autenticidade. Quanto à focagem automática da câmara, é excecional. Sim, tive mais tempo do que o habitual, mas isso não significou que me pudesse ter permitido perder momentos efémeros. Mesmo com lentes rápidas como a FE 50mm f/1.4 ZA, a focagem perfeita era sempre encontrada numa fração de segundo."
"O engraçado é que, depois de passar estas semanas a observar as crianças na natureza, elas me parecem muito mais concentradas do que numa sala de aula", conclui Andrea. "Parece contraintuitivo, mas ficam mais calmas. Então, julgo que temos mesmo de pensar na forma como as ensinamos. Para mim, é claro que há uma maneira melhor de o fazermos."
Notou ainda mudanças em si mesmo. "Disparava com menor frequência e estava mais contemplativo, o que me parece notar-se nas imagens. São diferentes das fotografias que habitualmente tiro, muito mais calmantes e delicadas, o que reflete o ambiente natural, julgo eu."
"Acho que, durante a Covid, muitos de nós pensámos em fazer mudanças nas nossas vidas", conclui, "mas quantos conseguiram mesmo fazê-las? Abraçar a natureza através deste projeto foi uma grande oportunidade para mim. Fez-me sentir que tenho sorte. Sorte de estar vivo, sorte de testemunhar estas crianças a abraçar o mundo natural, e sorte de voltar a ser fotógrafo."